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O café na arte Sexta, 27 de Abril de 2018

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A inspiração do café de coador de Ricardo Cruzeiro

Adriana Menezes

Começa com o cultivo, a colheita, a secagem, depois o descascamento, a torra, a moagem e, finalmente, a extração e a bebida na xícara, na quantidade e na temperatura certas, com o aroma perfeito e o sabor que tem a cara do Brasil. É claro que tomar café faz parte dos nossos hábitos, todo mundo sabe disso, mas raríssimas vezes lembramos que já é um traço da nossa cultura e peça importante da economia. Inicia na terra e vai até a nossa mesa ou além de nossas fronteiras.

O café no Brasil também sempre teve uma forte relação com a produção cultural e artística do país, como na literatura, nas artes plásticas, na música e no cinema. Financiou grandes movimentos artísticos e grandes nomes no interior paulista: no Vale do Paraíba, Monteiro Lobato; na região de Campinas, Ramos de Azevedo e, no século 20, Hilda Hilst, filha de fazendeiro; na região de Ribeirão Preto, Cândido Portinari; e, em São Paulo, os diversos gêneros artísticos gerados pela riqueza do café, da arquitetura às artes plásticas, música e um grande leque cultural e artístico.

A relação café&cultura na vida do multiartista Ricardo Cruzeiro é ainda mais estreita. Ele não vive nem produz sem tomar um tradicional cafezinho. Autor da escultura ‘Os Epicuristas’, há três anos instalada no jardim do MACC (Museu de Arte Contemporânea de Campinas), Cruzeiro não começa sua jornada diária de trabalho sem sua dose sagrada de café, moendo seus grãos e preparando ele mesmo a bebida. O ritual se repete ao longo do dia. “Sinto como se fosse um ectoplasma que repõe a energia perdida.”

É em casa que ele produz e faz seu café. O ambiente com aroma de café já lhe serve de inspiração e envolve o visitante, especialmente agora que Cruzeiro montou uma oficina para produzir as peças ‘Os Epicuristas’ em tamanho reduzido (em aço inox maciço, pintura eletrostática negra e base de madeira), que ele faz sob encomenda (epicuristas.com.br).

Não resta dúvida: o café tem muito a ver com a sua arte. Quem o visita já sabe disso. E ninguém sai sem provar seu cafezinho, moído e preparado na hora, sempre sem açúcar. O ritual do preparo é importante para saborear devidamente. Ou seja, coado ou na máquina, na prensa francesa ou na italiana, o mais importante é estar atento à escolha do grão, à moagem (na hora do preparo) e ao ritual.

A arte do café

A receita de Ricardo Cruzeiro é cheia de detalhes - isso é típico do bom apreciador de café. Ele sabe que está nos detalhes o segredo de um bom café. Cada um tem o seu jeito, mas o multiartista não abre mão de comprar sempre o café em grãos, nunca moído, pois moído perde o aroma e o sabor, e você nunca sabe se o que está saboreando é 100% café. O ideal é moer em casa. Evite cafés de torra muito escuro (queimados), porque disfarçam colheitas nada seletivas, em que a quantidade de grãos não maduros é bem grande.

“O café ainda verde é agressivo ao nosso aparelho digestivo. Os grãos devem ter uma coloração avermelhada bem escura, sinal de um café maduro o bastante”, revela o artista que adora consumir cafés orgânicos. Dado o recado, agora é hora de partir para o ritual do preparo. Cruzeiro faz o seu café diário, sempre coado. E assim começa mais um dia de arte.

O café de coador

Ricardo Cruzeiro

Ingredientes

Água filtrada ou mineral entre 90ºC e 92ºC.

Café em grãos para moer na hora (se não tiver um moedor em casa, use o liquidificador ou processador; deixe mais fino para coador de papel ou pano, menos fino para prensa francesa ou cafeteira italiana).

Coador tradicional com filtro de papel descartável; ou coador de pano (lavável) ou coador com filtro de titânio (uso permanente).

Proporção: para cada xícara (de café) de água (100ml) uma colher de sopa (10gr) de café.

Preparo

Mantenha seu café em grãos em pote hermeticamente fechado, sem ar ou iluminação. Deixe em local fresco, sem umidade. Moa na hora a quantidade que vai utilizar para o seu café (na proporção de 100ml de água para 10gr de café). Nunca ferva a água, porque isso pode amargar sua bebida. Ela deve estar entre 90ºC e 92ºC. A dica é observar, na panela, as primeiras bolhinhas que sobem; sinal da temperatura certa da água. Você pode usar os três tipos de coadores citados acima (papel, pano ou titânio), mas saiba que: 1) Filtro de papel absorve os óleos essenciais; 2) O filtro de pano também absorve os óleos essenciais, mas um pouco menos; 3) O filtro de titânio mantém a bebida mais rica em sabor e em propriedades, porque não absorve os óleos essenciais. O utensílio é importado e só se encontra em casas especializadas. Também tem a vantagem de uso permanente, ou seja, não é descartável e sustentável, por não gerar lixo.

 

Fotos Ricardo Lima


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