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Vinho e Música. Uma experiência de sucesso. Sexta, 04 de Maio de 2018

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Sabemos que desde a antiguidade conseguir harmonizar uma boa melodia com um bom vinho podia produzir uma experiência mais rica e alegre. Vinho e música andam juntos desde os tempos da Grécia e da Roma antiga, onde sempre as festas e reuniões sociais eram brindadas com festivas músicas regionais, em rituais litúrgicos ou em alguns casos entoando marchas rituais de guerra.

Desde então sabíamos que a música podia mudar a nossa percepção da comida, da bebida e até do ambiente e como ficam guardados momentos felizes regados a um bom vinho e marcados com a música.

Com o passar da história essa parceria só se fortaleceu e fazer a combinação de estilos musicais com tipos de vinhos se tornou uma forma descontraída e prazerosa de degustar e aproveitar um momento de relaxamento, de encontrar com amigos e familiares e principalmente de comer. Assim como o vinho, a música aguça nossos sentidos e sentimentos, chegando até a nos tocar a alma. Essa combinação encanta, apaixona e aproxima as pessoas. 

Parece que quando o vinho e a música têm o mesmo clima intrínseco, eles se complementam. Qualquer um pode dizer que a música é triste ou alegre. Com os vinhos acontece a mesma coisa. Cabernets estão com raiva, Pinots Noirs são românticos e Rieslings alegres e vivazes.

Depois disso, tudo é tentativa e erro. Prestar especial atenção ao frescor, à adstringência, à suavidade ou a dureza do vinho e como esses fatores se manifestam em um ambiente musical específico pode fazer toda diferença. Você não precisa mais do que alguns segundos para sentir o efeito e são universais para milhares de pessoas, sinérgicos e são percebidos com bastante clareza.

Existem muitos estudos interessantes sobre o assunto que vão desde a quantidade do álcool, efeito sobre consumidores em lojas, o que é um pouco mais científico e os trabalhos sensoriais que são feitos com a mistura de vinhos utilizando ambientes diferentes e músicas diferentes e observando as reações das pessoas e para o tema existe um grande número de assuntos exibido. A melhor explicação que encontrei para o comportamento não-linear fortemente compartilhado é que soa como a maneira como esse ajuste musical se comporta para cada pessoa, pois nossos gostos pessoais são únicos e nossas escolhas também. Estamos começando a falar sobre o vinho como literalmente "música líquida" e parte de uma experiência maior e enriquecedora.

Para exemplificar vou aqui dar algumas dicas pessoais de harmonizações musicais com vinhos, que eu gosto muito de fazer e sugiro a todos que façam também suas experimentações, e tudo conta, a luminosidade, o ambiente, o tipo de vinho e a companhia em questão, se é dia ou noite, se o clima é mais romântico ou social.

Vou começar com um tinto, um Bordeaux de qualidade. Por serem vinhos especiais e para serem degustados aproveitando ao máximo as sensações, com muita calma, prefiro clássicos mais relaxantes. Gosto de ouvir Beethoven ou Wagner.

Se a opção for jazz, de Chet Baker ou Diana Krall, um bom estilo de Chablis ira lhe fazer flutuar e ira combinar com o estilo musical. Leve, envolvente, flutuante. Agora se for um Jazz ao estilo de  Duke Ellington, Louis Armstrong, Miles Davis ou Billie Holiday, um bom Pinot Noir envelhecido combinará melhor ainda. Combina com a carga emocional e trará emoções extras. Agora se for um Pinot Noir mais jovem,  requintadamente perfumado e com muito sabor já prefiro a Soul Music de Ray Charles, Nina Simone, Marvin Gaye ou Daryl Hall. Estes estão entre minhas opções preferidas.

Um Pavarotti cantando Miss Sarayevo com o U2, um dos clássicos da Enya ou bandas  como Cocteau Twins e The Coors vão combinar bem com um Chardonnay de boa procedência, principalmente se for envelhecido e equilibrado.

Cabernet Sauvignon duro e cheio de alma já me dá vontade de ouvir Whole Lotta Love do Led Zeppelin ou algo do Ramones bem animado para conversar com os amigos e jogar muita conversa fora, dar risada e petiscar. Cabernet Sauvignon gosta de música forte e encorpada. Estranhamente, esse gênero vai suavizar seus taninos agressivos. Peoples are Strangers do The Doors pode ser uma ótima opção também.

Um Nouveau Beaujolais pode tolerar alguma alegria mas fica muito bom combinar esse delicado vinho com canções francesas de Émile Simon ou Charlotte Gainsbourg. Dá um toque muito gostoso e sofisticado ao ambiente.

Um Zinfandell Californiano combina muito bem comGarth Brooks ou Taylor Swift.

Um bom Shiraz, potente, apimentado e forte harmonizará muito bem com o Rock dos Rolling Stones, Queen, Journey ou Tom Petty.

Se a opção for ouvir David Bowie um bom espanhol feito de Garnacha ou Carignan irá combinar bem demais com a levada moderna, teatral e contemporânea.

Bossa Nova tipo Tom Jobim ou Louge Music já me dá vontade de um bom Rosê italiano da região do Abruzzo ou um delicado Chenin Blanc Sul-africano. Calma, beira de mar, conversa boa, silêncio, contemplação e muito sabor para guardar na memória. O Chenin blanc é uma das minhas preferidas atualmente e são vinhos que tem seu momento de brilhar também, basta acertar o momento e a música.

Azul do Mar de Tim Maia já me dá vontade de um bom Pinot Grigio ou um bom Vinho Verde Português, descontraídos mas sem perder a elegância e o frecor. Esses são bons para quase todas as românticas do grande Soul Man brasileiro.

E nos vinhos de sobremesa? Se tiver que combinar um francês Sauternes, doce, forte e dramático, um vinho intimista eu já prefiro um Noturno de Chopin para acompanhar. Dá pra fechar os olhos, acomodado na confortável poltrona e curtir todas as notas.

Ficam aí algumas dicas pessoais, agora é só você imaginar a música que está com vontade de ouvir e com qual vinho vai combinar. Se você acertar será inesquecível.

 


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