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Cervejas artesanais x industrializadas (parte 1) Terça, 17 de Abril de 2018

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Já mencionei aqui anteriormente alguns aspectos arespeito da questão da produção da cerveja dita artesanal.

No entanto, artigo publicado pelo ilustre Marcos Nogueira no Jornal Folha de São Paulo em 13/04/2018, com título “Produtores se escoram no falacioso discurso da comida artesanal”, me levou a retomar a tema. Nele o autor defende que “termo não passa de um truque de marketing, que, por definição, é engodo”.

Após a leitura integral do texto e de uma breve reflexão, não pude deixar de voltar ao tema. De fato qualquer produto comercializado de forma legal (em São Paulo pelo menos) tem que ter registros junto aos órgãos governamentais, que atestam a capacidade de produção do fabricante, dentro de determinadas normas de segurança alimentar e qualidade. Assim, pela visão do autorepenso, da grande maioria das pessoas, quando falamos de alimentos legalizados (aí incluídas as cervejas), estamos falando de indústrias, de produção industrial, o que vai totalmente contra o conceito “artesanal”. (Um breve intervalo para um comentário: ouvi um político dando uma entrevista outro dia –vamos evitar citar nomes – e em seu discurso ele dizia algo como: “queremos incentivar essa indústria artesanal”. “Céus”, pensei com meus botões, “onde vamos parar? Afinal é possível uma indústria ser artesanal?”.

Mas retomemos nosso tema. As opiniões desencontradas ocorrem, em grande parte, por falta de uma definição clara do que seja uma produção artesanal de alimentos. Sem embargo, tanto uma cervejaria gigante, que já engarrafou mais de 100.000 L de cerveja desde que você começou a ler esse texto, até uma nanocervejaria que produz menos de 10.000 L ao mês, ambas parecem indústrias e do ponto de vista formal e legal o são. Então por que uma produz algo visto “industrial” e a outra um produto alegadamente“artesanal”?

O cenário tem ao menos mais um complicador: as gigantes do segmento cervejeiro vêm perdendo mercado, com crescimento das pequenas cervejarias auto-denominadas artesanais. A resposta das megacervejarias tem sido, dentre outras coisas, a aquisição desses fabricantes menores, alguns deles detentores de marcas com alta visibilidade, percebidas pelo consumidor não tão aficionado por cervejas artesanais como tradicionais e renomadas.

Esse tipo de situação não é uma exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos pequenas cervejarias também têm sido incorporadas a gigantes do ramo. Daí vêm questões mais filosóficas,como:uma pequena cervejaria quando incorporada por uma gigante, terá respeitado seu “modus operandi”? Receitas, processos e matérias primas serão mantidos? É impossível se responder.

Como se pode perceber, para se beber boa cerveja de verdade o arcabouço de armadilhas não é pequeno. No próximo texto, tentaremos dar dicas para o nosso amigo apreciador desse delicioso líquido fermentado fugir das ciladas que o mercado apresenta. Cheers!

 


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